quinta-feira, 20 de maio de 2010

À Espera


Espero.
Espero com a esperança
de não esperar.
Mas, ainda assim
espero.

Os holofotes celestes
são testemunhas oculares!

Quisera eu fossem estes
os teus passos;
quisera eu fosse este
o teu cheiro;
quisera eu fossem estes
raio e luz
teu corpo e calor,
para que depois
chovessemos
nosso suor
noturno.

Mas, acima de tudo,
espero.

Quisera eu fosse
esta tristeza, teu gozo;
este vento, teu beijo;
este barulho de
água que despenca,
as batidas do teu peito,
onde eu procuraria
o engima dos teus
anseios, dos teus
desejos.

Quisera eu fosse tua
voz a melodia do
universo;
fossem tuas mãos
o berço no qual
dormem os oceanos;
fosse teu seio o
rochedo sobre o
qual meu corpo,
em livre queda, se
choca e se funde

Quisera eu
não esperar mais!

- Contudo,  estou à espera

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